Artigo sobre três crânios fossilizados de Cetáceos da coleção do MUHNAC na edição portuguesa da National Geographic

O número de Março da edição portuguesa da National Geographic publicou o artigo "As três baleias da Adiça", sobre três crânios fossilizados de Cetáceos da coleção do MUHNAC, recolhidos no início do século XIX. O artigo pode ser lido em nationalgeographic.pt 

Baleias da Adiça (Ed. port. National Geographic)

Estes três crânios fossilizados de Cetáceos, da extinta família Cetotheriidae, foram recolhidos na Mina de ouro da Adiça, na arriba fóssil situada entre a Fonte da Telha e a Lagoa de Albufeira, em formações geológicas com cerca de 7 milhões de anos (Miocénico superior).

Em 1831, foram referidos nas Memórias da Academia Real das Ciências de Lisboa, nos aditamentos de Alexandre Vandelli ao trabalho do Barão d’Eschwege, até então Intendente das Minas e Metais de Portugal. Deram, assim, origem à primeira referência de vertebrados fósseis portugueses em estudos paleontológicos.

Na Academia das Ciências, os três “crânios de Vandelli” passaram a integrar as coleções do Museu de História Natural, sendo transferidos com este para a Escola Politécnica.

Sobreviveram intactos ao incêndio que deflagrou, em 1978, no edifício do Museu. Após o estudo de Vandelli, e já nas instalações do MNHN, os crânios continuaram a ser alvo de estudos e publicações por paleontólogos de diferentes países. A principal revisão sistemática foi realizada em 1941 por Remington Kellog do Smithsonian National Museum of Natural History. Kellog concluiu que cada um dos três exemplares era um holótipo da respectiva espécie: Metopocetus vandelli, Aulocetus latus e Cephalotropis nectus. Considerou as duas últimas como espécies novas.

São muito raros a nível mundial. De facto, Aulocetus latus é exemplar único a nível de espécie e só se conhecem mais quatro atribuíveis ao mesmo género (dois na Áustria, dois em Itália ); de Cephalotropis nectus apenas existe outro exemplar em Maryland (EUA); de Metopocetus vandelli, a confirmar-se a designação específica é único. Anível de género só está referenciado um outro exemplar no estado de Virgínia (EUA).

Nos últimos anos os “crânios de Vandelli” têm sido procurados por investigadores dos EUA, do Reino Unido, do Japão, da Alemanha e da Ucrânia, estando em curso um reacender do interesse pelo estudo dos cetáceos fósseis.