Exemplar de "A Origem das Espécies"

A celebrar os 209 anos do nascimento de Charles Darwin escolhemos um exemplar de “A Origem das Espécies”, anotado por Francisco Arruda Furtado, discípulo de Darwin e seu contemporâneo.

A 12 de fevereiro são celebrados 209 anos do nascimento de Charles Darwin (1809-1882), o naturalista britânico que revolucionou o conhecimento biológico ao propor a teoria de evolução das espécies que ainda hoje é a base das teorias evolutivas consideradas pela comunidade científica.

O interesse de Darwin pela história natural iniciou-se na universidade, enquanto estudante de Medicina. Na sua viagem de cinco anos a bordo do Beagle (1831-1836), para levantamento cartográfico das costas da América do Sul, ilhas Maldivas, ilhas Galápagos, Taiti, Nova Zelândia e Austrália, teve oportunidade de realizar observações sistemáticas da natureza e o estudo da variabilidade numa mesma espécie que terá conduzido, em 1838, ao desenvolvimento da Teoria da Seleção Natural, base da teoria evolutiva que apresentou mais tarde e descreveu na sua obra “A Origem das Espécies” (1859).

O conceito de seleção natural assume que características favoráveis hereditárias se tornam mais comuns em gerações sucessivas de uma população de organismos, os quais se reproduzem com maiores hipóteses de sobreviver e que características desfavoráveis hereditárias se tornam menos comuns. Darwin separou os termos "sobrevivência" e "reprodução" no processo de seleção natural. Uma característica específica torna assim o indivíduo que a manifesta mais apto à sobrevivência e à reprodução bem-sucedida, permitindo que esse descendente e a sua prole tenham mais hipóteses de sobreviver do que os descendentes sem essa variação, os quais tenderão a desaparecer na população.

Entretanto em Portugal, o micaelense Francisco Arruda Furtado notabiliza-se, muito jovem, no estudo dos moluscos e da antropologia, abordando as teorias evolucionistas de Charles Darwin, com quem se corresponde durante dois anos, trocando ideias, pedindo conselhos e livros. O exemplar da obra ”A Origem das Espécies” aqui exposta integra a coleção deste Museu e terá sido por diversas vezes anotado por Arruda Furtado, o qual integrou em 1885 os quadros da Secção Zoológica do Museu Nacional de Lisboa (atual MUHNAC-ULisboa). 

A exposição Francisco Arruda Furtado (1854-1887), discípulo de Darwin, no primeiro piso do Museu, apresenta outros vestígios da sua correspondência com Darwin, bem como a riqueza e singularidade da obra científica de Arruda Furtado, um autodidata que se notabilizou no seu tempo.

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